Sobre Arena, privatização, sonho da casa própria, hipocrisia e burrices em geral

O leitor do Sempre Imortal e ouvinte do Mesa de Bar do Grêmio, Pablo Dias, nos enviou o texto abaixo com sua opinião acerca da Arena e da entrevista do Hélio Dourado para a Rádio Grenal. Leiam e comentem!

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Não sou um exímio entendedor de futebol como vocês, por isso me contento em não dar meus pitacos furados e superficiais a respeito desse tema polêmico; e também porque sou bastante racional, o que faz com que eu queira falar agora sobre algumas coisas que cercam o tópico.

Suponho eu que todos esses que falam a Arena não é do Grêmio tenham comprado seus bens imóveis à vista, novos, senão estariam sendo hipócritas. E digamos que não sejam hipócritas mesmo, que a afirmação anterior é verdadeira, ainda posso chamá-los de burros. Entendam.

Essas burrices crônicas estão todas associadas ao pensamento mesquinho d’O Sonho Da Casa Própria que há décadas persegue os brasileiros, desde a adolescência do Sr Hélio Dourado (calma que vou chegar lá) onde quem não tinha seu próprio terreno pra erguer uma casinha, não tinha onde cair morto e tampouco deixaria um legado para os filhos, netos, bisnetos. É uma visão imediatista de um povo que vive num governo que não consegue planejar nada com mais de 5 anos de antecedência.

A Arena não é do Grêmio pelos próximos 20 anos, assim como os apartamentos que vocês compraram pela Caixa não serão de vocês pelos próximos 30 anos e os carros que vocês compraram em 36x nunca serão porque vão vender quando chegar na 18ª parcela.

É o típico adesivo É véio mais tá pago (sic) em Comic Sans colado no vidro da Variant meio enferrujadinha. Tudo bem, mas e a qualidade? Pra mim, o grande lance não é possuir, mas sim usufruir, dar-se uma qualidade de vida, um conforto, o luxo quando possível, por que não?

E aos que me disserem – Eu não, eu juntei dinheiro e comprei meu apê à vista ainda assim tenho chances de poder chamar de burros, porque é só calcular esse dinheiro investido na aplicação menos rentável que existe durante 30 anos, usar o rendimento pra pagar mais da metade da parcela do financiamento e depois de 30 anos tu vai ter o mesmo imóvel além de todo o dinheiro que tu já tinha pra, se quiser, comprar outro imóvel à vista ou garantir os estudos dos filhos, netos, bisnetos. Visão > 5 anos.

Isso não é pra ser uma aula de economia, mas é preciso citar exemplos pra entender o que é um sentimento imediatista burro.

E aí chegamos na entrevista do Sr Hélio Dourado, estimado ex-presidente do clube, falando mal da Arena e de tudo mais o que teve tempo na Rádio Grenal, no dia em que completara 84 anos… Daqui a 20 anos este senhor terá 104 anos, o que pra mim já deixa claro o motivo do furor.

Que me desculpe o amado e idolatrado Sr Hélio Dourado, mas a Arena não é pra ele que não pode esperar 20 anos. Não é pra mim, que tenho quase 30 anos e devo viver mais uns 50. Não é pra Julia que nasceu este ano e vai estar viva no século XXII. A Arena é pra posteridade, pra quem puder usufruir, é pro clube, que já tem mais de um século de vida e não vai morrer em breve. É imortal!

Tu sabes que eu tenho uma vida dentro do Grêmio Porto Alegrense, uma vida muito longa. Sim, invejável, porém quando o senhor nasceu o clube já existia e quando todos que estão lendo este texto morrerem, continuará a existir. O nosso tempo de vida para com o clube é medíocre perto do tempo de vida do clube para nós. Logo, argumentar uma decisão de longo prazo é desprovido de razão.

Argumenta o Sr Hélio que o Grêmio não precisava ter mudado para o Humaitá, assim como devem ter argumentado os senhores de 84 anos em 1954 quando da mudança do Fortim da Baixada para a Azenha. Reclamar de mudanças é um pensamento burro, que não planeja o futuro. Pra evoluir tem que mudar e pra vencer tem que evoluir. Claro que não é mais o Grêmio de antigamente, porque o futebol não é mais o de antigamente, a moeda não é mais, a sociedade não é mais, nosso corpo já não é mais o de antigamente, e todos os que se prendem a isso vão ser enterrados como saudosista pra dar lugar aos novos saudosistas que vão idolatrar o tempo de agora e daqui a 80 anos vão reclamar que as coisas não são mais as mesmas – ad infinitum.

Gostaria muito de ter visto o magnífico projeto que o engenheiro Plínio Almeida deixou como opção de REFORMA (que palavra horrível!) do Olímpico, que seria melhor que a Arena. Imagino, por exemplo, que tenham sido previstas pontes ligando diretamente a Castelo Branco ao Largo dos Capeões, porque as vias a Azenha são muito pequenas pra suportar tamanho tráfego. Mas eu não sou engenheiro, e se o Sr Hélio diz que dava pra fazer tudo onde está o Olímpico, não tenho como argumentar.

Porém, posso argumentar que os que preferem POSSUIR ao invés de USUFRUIR DO PLANEJAMENTO vão acabar com carros velhos, vão continuar morando onde não gostam, vão acabar sem poder passear pelo Cais do Porto iluminado, com restaurantes, entretenimento, porque – Deus o livre privatizarem aquilo lá, já pensou? Além do dinheiro ir pros cofres de uma pessoa ao invés dos cofres públicos, daria pra passear por lá à noite, jantar com uma vista muito legal, seria um belo ponto turístico da cidade. Melhor deixar assim, abandonado como está, porque pelo menos é nosso!!!

Sem falar no sofrimento dos que hoje correm pela orla do Gasômetro à noite, com iluminação, e que durante o dia têm um jatinho de água pra refrescar os 45º do verão porto-alegrense, porém são obrigados a chegar em casa e comprar uma PEPSI porque colocaram um absurdo de umas placas de propaganda, como se fossem um revólver apontado pra tua cara te obrigando a ir no shopping comprar um refrigerante.

Enfim, isso tudo é pra poder dizer que não, a Arena ainda não é do Grêmio, mas que sim, é o melhor estádio da américa, é toda nova, é um grande feito para o clube, é um marco histórico no Sul do Brasil e, convenhamos, é afudê pra caralho!

O que são 20 anos se comparados à imortalidade?

Quem não vê isso é porque vai morrer daqui a pouco, ao contrário do Grêmio.

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5 comentários

  1. Quanto ganhamos a mais, contando o item estádio e seu entorno, contando o primeiro ano da Arena, e o último do Olímpico? Quanto ganhávamos em média, com correção monetário, no Olímpico, e quanto estamos ganhando com a Arena? Acho que esse papo de “é nosso”, “é da OAS”, é papo de boteco, criança discutindo no recreio. O que importa pro torcedor é: valeu a pena, financeiramente?

  2. acompanhei gremio 3 x 2 botafogo pela copa do brasil sub 17 e me chamou muito a atuacao o Nicolas Careca, pois e um atacante grandao, tem forca fisica, sabe jogar pelo chao, tem habilidade. Tem tudo para ser mais um bom jogador.

  3. Hoje o Júnior voltou a vencer com mais dois gols do meia Lima.

    O Juvenil venceu mais uma. Deixou o Botafogo crescer, mas mostrou superioridade.

    O time ainda pode mostrar mais.

    O que causa estranheza é a não utilização do Cassiano.

    Nicolas Careca é um centroavante interessante realmente. Todavia, o juvenil apresentou outros jogadores interessantes.

  4. O post traz alguns argumentos interessantes. O exemplo do financiamento da Caixa é diferente do contrato de superfície.

    Quando alguém adquire um imóvel com financiamento bancário, está contratando o crédito. E esse crédito precisa de uma garantia que é o próprio imóvel.

    No contrato da Arena, é diferente. Se o Grêmio tomasse um financiamento, a Arena seria a garantia.

    Sabemos que a OAS para construir tomou um financiamento e teria colocado o estádio como garantia. Segundo algumas informações que eu li pela internet, a OAS tem a obrigação de desonerar a Arena. Enquanto isso não ocorre, o Grêmio não entrega o Olímpico.

    O Grêmio fez um contrato de superfície. Esse contrato poderia ter sido feito inclusive no terreno da Azenha e lá construído um novo estádio.

    O Palmeiras também tem um contrato de superfície. O próprio Inter também tem com algumas diferenças. Tudo aquilo que a AG construiu, ela administrará.

    A ideia de negócio dos três clubes é diferente, embora tenha algumas semelhanças.

    A questão se é bom ou mau negócio só o tempo dirá. Vários são os fatores que contribuirão para o positivo ou negativo.

    Alguns podem defender que o Grêmio fez um mau negócio porque o contrato sofreu várias alterações. É um pensamento pobre, uma vez que o negócio em si é complexo. A concepção nasceu em 2006 e o estádio foi entregue em dezembro de 2012.

    Com o passar do tempo, as partes contratantes foram dimensionando o impacto contratual.

    É lógico que há uma evolução e um melhoramento. Mas todo melhoramento contratual tem como contrapartida algum ponto desfavorável, pois são dois interesses distintos e cada qual buscando uma proteção.

    O assunto Arena gera muita discussão. Eu não tenho dúvida de que a potência financeira que a Arena pode proporcionar é muito grane comparado ao Olímpico. E isso se constatou já no primeiro ano, sendo que há muito a ser buscado.

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