Para os profissionais de marketing do futebol

Publicado por: Robert Alvarez Fernández

Se é que tem algum, cialis de fato, site já que de direito tem vários, proponho um exercício bem simples : coloque-se no lugar de seu consumidor, com detalhes mais ao longo do texto.

Nessa era de marketing pra lá e marketing pra cá, onde o senso comum polui as definições mais puras do que é mercadorizar um bem ou serviço se percebe que o marketing do futebol se resume a algumas ações de promoção (camisetas, DVDs, etc.), alguns, até bons, programas de relacionamento e alguma, pontual, melhoria nos processos de compra de ingressos e por aí vai. É pouco.

Mesmo em mercados mais avançados os fãs de esporte se queixam que os executivos de marketing dos clubes permanecem um pouco descolados da realidade do que é acompanhar o esporte, não se ouve a voz do mercado; claro que os sócios-torcedores podem ter pesquisados seus hábitos de consumo, sua frequência e assim por diante, mas o mercado não é só composto deles.

Para reduzir o impacto deste hiato, desta zona escura entre o planejamento de marketing e o mercado, o que é inadmissível, é que vem a proposição do exercício.

Passo 1 : Escolha, por dados de mercado, uma região da cidade onde sabidamente sua organização esportiva tenha um número de seguidores significativo. Vá até lá, estacione seu carrinho e, desprovido de paletó e gravata e de todas suas credenciais que tornam sua vida mais fácil, se dirija até o estádio onde seu clube joga, se preferir, vá de carro, e encontre um local para estacionar. Sinta todas as dificuldades e riscos a que seu consumidor se submete; quando você pensar em desistir, e isso vai acontecer, tome nota do porquê.

Passo 2 : Entre na fila de compra de ingressos, lembre-se que você agora é um torcedor comum, fique na fila, empurre, seja empurrado pelos demais torcedores, fique sob os olhares e gritos da polícia de choque e aproveite a experiência.

Passo 3 : De posse de seu ingresso, observe a exepriência de ver gente tentando te vender ingressos com carimbo DIRETORIA nele por um preço extorsivo; pense de onde este ingresso pode ter saído e pense a respeito dos argumentos que o cambista vai te apresentar. Experimente de forma tátil os produtos associados à marca que você administra, pense de onde eles vem e porque as pessoas os compram. Veja as alternativas de alimentação que seu evento provê ao consumidor.

Passo 4 : Entre no estádio, seja revistado e procure : ocupar seu assento numerado, encontrar um banheiro limpo, encontre um banheiro feminino que não tenha uma fila tão grande que as torcedoras até pensam em usar o masculino.

Passo 5 : Localize um eventual grupo de crianças ou um grupo de jovens conversando, observe e considere a possibilidade de eles estarem se divertindo tendo o jogo apenas e tão somente como pano de fundo. O mesmo pode ser valer para as torcidas organizadas tentando se divertir criando “clima” com a polícia.

Passo 6 : Ainda dentro do estádio veja as grades, muros, corredores estreitos e tudo que é feito para que pessoas que usem camisas de cor diferente não se encontrem de jeito algum; pense qual sensação isso lhe provoca, seria de segurança ? Veja quais são as ofertas de serviços, produtos temáticos e de alimentação dentro do estádio.

Passo 7 : Saia, ao término do jogo, imediatamente; sinta todas as dificuldades do torcedor comum em ficar preso no trânsito, em se deslocar mesmo a pé, observe quais as áreas a evitar devidamente limitadas pela polícia e assim por diante.

Passo 8 : Chegue em casa e bote na balança a experiência dividida entre dois blocos, um composto de sacrifício/risco e outro da diversão; conclua se você mais sofreu ou mais se divertiu.

Pense em tudo que esteja a seu alcance para melhorar algumas coisas na vida do seu consumidor, implemente as mudanças e, provavelmente, você terá uma resposta de público.

Este texto é adaptado de um artigo do Prof. William Sutton, uma das maiores referências em marketing do esporte no mundo, com quem estive palestrando em Portugal recentemente e com quem me reunirei na próxima semana nos Estados Unidos para um bate papo mais social que profissional, mas é sempre bom aconselhar-se com quem considero meu grande mentor nessa área.

Viu ? Lá eles também tem problemas, mas fazem algo a respeito ao invés de ficar dizendo que é assim mesmo e que não dá pra mudar, é só ter objetivo claro e coragem.

Fonte: http://futebolnegocio.wordpress.com/

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20 comentários

  1. Nilton Santos, todos só conhecem o lateral.

    Quem é Nilton Santos ( que ninguém conhece) e que tem um contrato que ninguém ainda conhece?

    E quem é Gabriel? O que tem a ver com Nilton Santos?

    Por mais que me esforce não estou entendendo.

    :P

  2. Prezado Robert Fernández: um ótimo artigo e exequível perfeitamente. O problema é: o dirigente quer fazer isso? Em 1986 tivemos essa experiência em uma área governamental da saúde, mudando drasticamente o modo-de-operação, para usuário e funcionário; porém com a troca de comando da área, tudo não só voltou atrás, como piorou. Continuidade é um outro problema associado e muito pouco cuidado.

    Se me permitires, uma sugestão ortográfica: ao invés de criar a palavra “mercadorizar” (assim como o Windows com o “inicializar”, para a qual já existe iniciar), há outras duas em português: mercadejar ou mercadizar (esta, específica para “marketing”, oriunda de mercadização).

    Fico muito satisfeito em ler essa tua contribuição.

  3. Sobre o post:

    – Mandem este texto para marketing@gremio.net e aguardem uma manifestação a respeito do artigo. De preferência confortavelmente sentados.

    – Seria no mínimo curioso (pra não dizer hilário) ver o Pacheco implementando os passos descritos acima.

    Mas como ele diz, com tanto tempo de MKT do Grêmio, ele conhece a matéria melhor que muito marketeiro profissional. Vão entender…

    Sobre o Victor: já comecei a rezar. Espero que seja boato. Mas se for pra sair, que encha os cofres do Olímpico. Não sei quem foi o “heroi” que limitou o teto em 5 MI de Euros. O Renan saiu do aterro pra ser reserva por 6 MI. Tem coisas no Grêmio que é difícil de entender…

  4. o Renan também foi por 5 milhões, só que ele não vale uma perna do Victor!
    Temos o melhor goleiro do Brasil e possivelmente o futuro melhor do mundo. É inimaginável que um clube possa cogitar negociar seu melhor jogador, idolo máximo da torcida, sendo que só possui 50% dos seus direitos econômicos e sendo ele um goleiro, que não rende grandes valores em negociações!
    O que está por trás de uma venda do Victor realmente? Em 2010 já vendemos Douglas Costa e Rever, arrecadando quase 9 milhões de euros. É realmente necessário vender seu melhor jogador, logo quem é insubstituível???
    Que vendam qualquer um, até o Mario Fernandez é compreensivel, mas o Victor não!!!
    O esforço que essa direção deve fazer não é o de pagar todas as dividas em 2 anos, mas sim o de propor um contrato a altura do Victor e mantê-lo no Grêmio por muitos anos, como foi com Danrlei…
    As dividas estão bem administradas e a torcida ta cansada da mesma desculpa sempre.
    Que o Victor tenha um salário de 200, 300 mil mensais, mais do que ninguem ele merece!!! Deixem de trazer Joilsons, Jadilsons, Oseas da vida e mantenham quem realmente faz a diferença!

  5. Rafael, sou suspeito para falar pois levanto essa bandeira faz tempo!
    Que o Victor seja vendido, até vá. Mas por míseros 5 milhões?????????????????????????????????
    A administração Duda Kroeff será marcada por vender e não ganhar nada…
    Abraçoss

  6. Olha,só não digo que cancelaria minha associação porque isso só pioraria aidna mais, mas que dá vontade de jgoar tudo pro alto, a dá…

    É uma VERGONHA pagar milhões para ficar com o SOUZA fofoquinha, pagar 170 mil para o jonas, 150 mil pro Herrera que só está emprestado, é não pagar pelo menos 200 mil ao Victor para convencê-lo a ficar.
    GARANTO que ele não ganharia muito mais que isso lá na europa.
    Esperavamos desde a decada de 90 por um goleiro DIGNO de Grêmio, e aí quando aparece, vendemos por micharia.

    Vai entender.

  7. Carlos, mas faz tempo que o Grêmio sabe da qualidade do Victor, portanto, não tem desculpa sobre contrato com Paulista. Bastava negociar, comprar o restante e ficar de dono da situação! Ainda tenho esperança que isso seja somente boato e/ou sondagem/blefe de empresário.
    Abraçoss

  8. Carlos,

    a pergunta não foi dirigida a mim, mas raciocino de tal maneira, por exemplo: se o Grêmio vende seus melhores jogadores por não dispor de capital de giro suficiente para contatações e ainda tendo de pagar dívidas, POR QUE o ínfimo paulista de Jundiaí teria recursos financeiros para dizer não a negociar com o Grêmio e engordar seu magro caixa?
    Acredito sim, que faltou ousadia e reais tentativas de compra dos 50% restantes.

  9. voltando ao post… excelente artigo! mkt é muito mais do que fazer uma camiseta diferente por ano. alias, tava na hora de ter um vice-presidente remunerado nessa área(profissional de mkt top de linha). parece que só assim as coisas vão melhorar.

  10. Quanto ao texto publicado, NADA mais a declarar, ele por si só diz tudo o que tem de ser dito.
    PERFEITO.

  11. O texto faz um contraponto entre o planejamento de marketing dos clubes e o mercado, o qual, segundo o autor, não se esgota na visão simplista dos executivos destas instituições, que tendem a direcionar suas ações e promoções a um segmento consumidor específico, o sócio-torcedor. Ao propor uma pontual reflexão sobre as diferentes situações com que se depara o desportista em geral em sua trajetória de realização de seu desejo de consumo e a conseqüente satisfação ou não, sugere aos profissionais da área a vivência destas rotinas de torcedor para uma ampla percepção de sua realidade. O conhecimento destes distintos cenários é a matéria prima indispensável para a elaboração de um planejamento de marketing com propostas consistentes e qualificadas, que venham a ser implementadas com a certeza de um retorno satisfatório.
    Como sou apenas um curioso aprendiz da matéria, vou ficar aqui saboreando as opiniões que serão postadas pelos especialistas. Isto aqui, para mim, é mais que um blog é uma escola.

  12. Meus amigos. Na próxima encarnação quero ser dirigente de futebol. Não existe nada mais gratificante do que ser dirigente de futebol em um grande clube com uma apaixonada e fiel torcida. Pode-se dizer as maiores asneiras, pode-se enganar o torcedor a qualquer momento e pode-se comprar um monte de “bondes” e ficar por isso mesmo. Pode-se ouvir em alguns momentos vaias, apupos, gritos de ordem, etc. Mas isso é coisa passageira, ranço da “minoria dirigida”. Quando houver problema de caixa, basta vender uma das muitas revelações das categorias de base ou um dos poucos craques do time por alguns milhões de euros e continuar lépido e faceiro por ai. De lambujem, contar com a solidariedade do presidente, afinal, a pátria e a pele devem ser preservadas, antes de tudo. Se fizer um bom trabalho e for um ganhador será paparicado, bajulado e será brindado com mais um mandato y otras cositas más… Se ao contrário for um perdedor, haverá quem a ele se alie para, juntos, desfiar mil desculpas como: o “mau momento”, “o olho gordo da oposição”, ou simplesmente, “o azar”. Sairá numa boa, porque o clube conseguiu pagar títulos e isso só acontece com quem sabe vender bem, e mais do que isso, com quem tem boa mercadoria para vender. É a garantia de que a política do futebol será mantida. Se não as tiver, fazer o que se lhe deixaram apenas dívidas, cofre vazio e nenhuma possibilidade de contratar? Ninguém é de ferro! No final das contas o abnegado dirigente será reconhecido pela sua honestidade, seriedade, cavalheirismo, dedicação e amor ao clube e terá seu nome afixado em algum lugar nobre do estádio ao lado de seus pares. Portanto, amigos gremistas, a vida de um dirigente de futebol de um grande clube tende a ser tranqüila e sem stress. Só não o será se ele não quiser.
    PS. Esta é apenas uma onírica divagação. Qualquer ilação que se faça com fatos ou pessoas do nosso dia à dia, não passa de mera especulação.

  13. Sobre venda de jogadores, lembrar que o Grêmio precisa entregar o Olímpico totalmente desonerado (e está penhorado, entre outras dívidas, para os condomínios de credores) para dar início a Arena. Isso é contratual. O Clube dispõe de poucas cartas na manga para negociar, pois é sobretudo um grande devedor. Há que se ter paciência, uma coisa ou outra.

  14. que vendam qualquer um pra desonerar o Olimpico, menos o Victor!
    Alias, temos até 2012 pra desonerar o Olimpico, precisa vender agora nosso melhor jogador?

  15. pois é, Raul, só que aí tú recebe 5 milhoes de euros prá te desonerar de dividas mas assina um contrato com um jogadorzinho mediocre como o Jonas, que vai te levar 1 milhão de euros em 2 anos…

    mais outro tanto com o Rochembach e outros cuja chance de dar certo é perto do zero. mas é o preço que nós pagamos por ter como Executivo Supremo do Futebol o Dr. Meira

    cbimbi

  16. Rochembach quando foi contratado a maioria elogiu a contratação.
    E o jogador não conseguiu ter atuações de alto nível e as causa precisam ser analisadas com cuidado. Ninguém desaprende a jogar futebol
    O Meira merece ser criticado nas contratções e jogadores medíocres como o Ferdinando, Túlio, Oséia entre outros de menos expressão.
    Se Vitor for vendido, ele vai trazer o Douglas do Guarani que se fosse bom, estaria num clube da primeira divisão do futebol paulista.
    por outro lado, inegavelmente também contratou jogadores que deram certo.
    Ainda acho que ele está devendo como dirigente…

  17. Plenamente de acordo, Cesar. Faz tempo que bato nessa tecla, de altos e absurdos salários para quem vem de fora e quase nada para os “da casa”, que, via de regra, tem sido muito melhores. É mais que necessária uma política de salários adequada ao Clube. E contratos bem feitos. O Grêmio está muito vulnerável ao atletanegócio, exatamente pelas dívidas, como já bem descreveu Hélio.

    Essas diretrizes é que estão faltando no Departamento de Futebol que, volta-e-meira, pisa na bola.

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