PALAVRA DE GREMISTA # XXX: Marcelo Aiquel

Retornando ao tópico de entrevistas com personalidades tricolores, view os moderadores do Blog GRÊMIO SEMPRE IMORTAL apresentam a trigésima edição do PALAVRA DE GREMISTA. Desta feita, o nosso entrevistado é o nosso comentarista e colaborador e integrante do Conselho Deliberativo gremista MARCELO AIQUEL.

Conhecido pela forte defesa de suas idéias e, principalmente, pelos interesses do Grêmio, Marcelo Aiquel fala para o GRÊMIO SEMPRE IMORTAL fatos interessantes.

Uma boa leitura a todos.

– Gremista desde quando?

Desde a infância (8 anos, por aí). E o que me fez gremista é uma história curiosa. Nascido em uma família colorada (meu pai, meus tios e avós eram todos simpatizantes do “colorado”, como se dizia à época), comecei a jogar bola na rua e gostava de ser goleiro. Então pedi uma camisa de presente e escolhi a mais vistosa (lá na Casa Cauduro, na Praça XV), uma amarela que era a utilizada pelo Germinaro, o argentino que jogava no gol do Grêmio naquele tempo. A camisa veio com o símbolo do time no peito e me tornei gremista, sem nunca antes ter sido colorado, apesar da família. Em setembro de 1963, depois de ir a alguns jogos na geral, me associei ao clube. Tinha 11 anos incompletos, ou seja, há “apenas” 47 anos. Um dado que me honra: depois de mim, nunca mais tivemos um colorado sequer na família toda.  

– O senhor integra o Conselho Deliberativo tricolor desde que ano?

Ingressei na última eleição (2007). É o meu primeiro mandato e espero estar representando bem aos associados que confiaram em mim. 

– Já exerceu alguma função no Clube? 

Já, na gestão do Dr. Hélio Dourado. Trabalhei no Jurídico e fiz parte daquele time extraordinário que era formado pelo Raul Régis, Cacalo, A. C. Maineri, Milton Camargo, o saudoso João Luiz Bergmann, e o Cláudio Rosa, todos com uma longa história de serviços prestados ao clube. 

– Qual a sua opinião quanto a profissionalização do Clube? Ainda existe espaço para o trabalho gratuito do torcedor/associado?

A profissionalização do clube é uma necessidade nos dias de hoje. O Grêmio tem que ser tratado como uma grande empresa e somente com um trabalho profissional, desempenhado por profissionais contratados, poderá desenvolver seus projetos. Não há mais espaço para o abnegado que divide suas tarefas particulares com o tempo que empresta ao clube, no que chamamos de dedicação não exclusiva, tipo “amor a camiseta”. Hoje, o Conselho de Administração eleito (Presidente e vices) deve delegar a profissionais contratados as áreas financeira, administrativa, de marketing, patrimônio, e até o futebol. E exigir resultados ou então dispensar este gerente/diretor, substituindo-o por outro. É evidente que o trabalho gratuito do associado sempre terá espaço, mas dentro de um projeto profissional, onde este colaborador se enquadre na política traçada e esteja subordinado ao responsável por cada área. Se não fizermos isso, e em breve, teremos os mesmos problemas que vem se acumulando há tempos, no Grêmio. Todos aqueles clubes que já deram início a este processo de modernização e profissionalização, estão colhendo os resultados. 

– O senhor é conhecido por ter sido o criador do site SOS GRÊMIO. Poderia explicar para os nossos leitores do que tratava aquele movimento e quanto tempo o mesmo permaneceu ativo?

Juntamente com alguns amigos gremistas, criamos o Movimento SOS Grêmio nos primeiros meses da gestão do Flávio Obino (em 2003), ao vislumbrarmos o futuro negro que se anunciava. O SOS era um grito de alerta para o torcedor e para a própria direção, que, ao invés de escutá-lo, começou a nos boicotar de maneira vil, mesquinha mesmo. E o que muita gente não sabe é que, antes de nos lançarmos de corpo e alma na campanha contra o Reino da Obinolândia (como batizamos a funesta gestão) tentamos colaborar apresentado inclusive um projeto para ajudar a recuperar as finanças do clube. Projeto este que foi idealizado sem nenhum interesse político, mas que foi jogado (literalmente) no lixo antes mesmo de ser lido. E tenho provas do que afirmo. Sem contar as ameaças (apócrifas, por óbvio) que recebi, na condição de líder do movimento. Com a reconquista da dignidade e do respeito, o que ocorreu em 2005/2006, não havia mais porque o SOS continuar a existir, eis que tinha como objetivo exatamente isso. 

– Como foi a sua entrada no Movimento Grêmio Independente?

Desde antes de encerrar o SOS, nós (eu e meus parceiros) vínhamos sendo convidados a participar de grupos políticos do clube. E o perfil do MGI me atraiu com mais força do que outros ótimos movimentos existentes, todos repletos de amigos que respeito e considero. O MGI representava movimento jovem, com um discurso coerente, formado por gremistas cujo ideal era fazer do Grêmio um clube diferenciado, vencedor e, especialmente, profissionalizado na sua gestão. Por isso me alistei no grupo onde fui muito bem recebido. 

– Na sua opinião o que impede hoje a mesa do Conselho Deliberativo aplicar o art. 66, § 1° do Estatuto Social, que determina a perda do mandato em caso de repetidas ausências não justificadas?

Esta discussão já transbordou do âmbito do Conselho, sendo um pleito de milhares de gremistas que não entendem a razão de tal protecionismo. Eu, particularmente, sou contra este corporativismo absurdo, e já tive oportunidade de declarar isso lá no próprio Conselho. Este problema é antigo e está diretamente ligado ao tempo em que o Grêmio era dominado por feudos, liderados por pessoas que se achavam “donos” do clube. Não é fácil enfrentar e combater algo que tradicionalmente sempre foi acobertado por estes caciques. Mas, mesmo parecendo antipático, não vou descansar enquanto não acabar com tais regalias. Aliás, não só estas, mas com outras que – inexplicavelmente – são tratadas como matéria proibida lá dentro, sempre que arguidas. Resumindo: na minha visão, o Conselheiro tem a obrigação de representar o associado que o elegeu e não esquecer-se deste depois. E deveria trabalhar mais pelo clube, como alguns efetivamente fazem. Mas, se nem nas reuniões comparecem, qual a razão destes reiterados faltosos permanecerem Conselheiros? Apenas pelo prestígio do cargo? 

– Estamos nos aproximando de 3 importantes processos eleitorais para o Grêmio em 2010. O senhor considera possível que o atual bloco de oposição (Grêmio Independente/Grêmio Sem Fronteiras/Grêmio Novo) permaneça unido ou poderemos ter novas composições visando o engrandecimento do Grêmio?

Ainda faltam sete longos meses até a primeira das 3 eleições deste ano e muita água ainda vai rolar embaixo da ponte. É natural que com a aproximação do processo eleitoral, as conversas evoluam como costuma acontecer. Portanto, seria prematuro opinar neste momento. Porém, como não gosto de fugir das respostas, creio que o quadro político está se definindo desde o último pleito e deveremos ter, em setembro/outubro, um debate entre o continuísmo e a renovação. O associado saberá enxergar nas propostas e, principalmente nas promessas de cada chapa, quem oferece realmente um projeto de futuro, sem estar apegado ao ranço político.  O próprio comportamento pós-eleição é um indicativo de quem é coerente com o seu discurso. E o sócio está vendo isso. 

– Qual a sua avaliação do atual grupo de atletas tricolores e as nossas chances nos diversos campeonatos que estaremos envolvidos ao longo do ano de 2010?

Creio que o plantel deste ano é o melhor tecnicamente que temos, desde 2006. Há, certamente, alguns equívocos pontuais, mas o grupo me parece capaz de conseguir sucesso. Tudo vai depender, é óbvio, do trabalho desenvolvido pelo treinador, ainda em fase de adaptação, mas com repetidos erros que já deveriam ter sido corrigidos e preocupam. 

– Qual o jogo do Grêmio que mais lhe marcou?

Difícil escolher só um, mas a vitória contra o Peñarol em 83, na final da Libertadores, teve um sabor único (maior até que o do Grenal da decisão de 1977, com aquele gol do André Catimba).  Pelo lado negativo, a grande decepção ocorreu um ano após, na outra decisão da Libertadores (84), quando perdemos o título em casa, para o Independiente. Fatores extra-campo tiraram o foco do time e perdemos o BI. 

– Qual o melhor time do Grêmio que já viu jogar?

Com respeito aos mais novos, mas a máquina dos anos 60 era demais: Alberto (Arlindo), Altemir, Airton, Áureo e Ortunho; Cléo e Sérgio Lopes; Babá, Joãozinho, Alcindo e Volmir (Vieira). 

– Qual seria o time do Grêmio de todos os tempos?

Vou me atrever a escalar somente onze titulares com seis reservas, e certamente cometerei injustiças: Danrlei, Eurico, Ancheta, De Leon e Everaldo; Dinho, Tadeu Ricci e Valdo; Renato Portaluppi, Baltazar e Eder.  Banco: Mazaroppi, Airton, Oberdã, Paulo Cesar Caju, Alcindo e Jardel. 

– Defina o Grêmio em uma palavra.

Paixão 

– Alguma manifestação final.

Agradeço a oportunidade e felicito os moderadores do blog pelo trabalho que vem fazendo para divulgar as coisas do nosso Grêmio, trazendo o torcedor diretamente para o debate de assuntos de interesse de toda a nação tricolor. Espero que em breve possamos estar todos unidos, sem rancores e mágoas, para construirmos o GRÊMIO SÉCULO 21 – PROFISSIONAL E VENCEDOR.

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28 comentários

  1. Bela entrevista.
    Eu não sabia que o Aiquel tinha sido o criador do SOS. Mas fale sobre o plano entregue ao Obino e que foi pro lixo.

  2. Caríssimo Marcelo Aiquel,

    A despeito de algumas discussões recentes neste blog quando eu procurei provocar a reflexão acerca da conduta omissa dentro do CD que tanto prejudica o Grêmio e com a qual concordamos integralmente, considero a tua visão excelente. Ao mesmo tempo, respeito muito o César Dias, o Antônio Vicente Martins e o Homero Bellini. A proposta básica do MGI apresenta uma grande adesão – comprovada pelo aumento do número de integrantes do movimento a partir da eleição de 2007.

    Sou relativamente jovem (farei 37 anos em maio) e nunca fiz parte do CD. Já fiz parte do MGN e mantenho relações cordiais com seus integrantes até hoje, mesmo sem termos um convívio frequente.

    Concordo totalmente com a premissa de que o Grêmio precisa ser profissionalizado e que tanto o caciquismo como a omissão e os privilégios precisam ser extirpados. Todavia, o relato do Josias sobre a postura do Antonini em relação à Grêmio Empreendimentos e o episódio do De Canela complicaram a credibilidade daquele que, em termos de quantidade, é o maior movimento dessa aliança, hoje na oposição.

    Ao mesmo tempo, apesar de contar com muitos gremistas antigos de relevantes serviços prestados ao clube, os movimentos da atual situação, mesmo cientes e procurando modernizar o clube, o fazem de uma maneira bastante lenta e descontínua. O lado positivo é que a dependência deles em relação aos considerados caciques felizmente tem diminuído.

    Todos já tiveram chance no poder. Não necessariamente na presidência ou no futebol, que são os setores de maior visibilidade. Tanto acertos como erros CRASSOS foram observados em todas as gestões.

    Não acho que exista uma “terceira via”. Porém, até certo ponto, nem quem prega ser liberal ou de vanguarda o é, assim como nem quem é nitidamente conservador é exatamente lerdo ou corporativista.

    Portanto, te pergunto em função de teres te apresentado neste fórum de discussão com uma frequência maior do que a de teus companheiros de chapa e da tua notória honestidade e sabedoria (sério, não estou sendo irônico):

    – Como fazer com que os dois lados trabalhem juntos rumo à uma governança corporativa ou a um “projeto de estado” que apresente um eixo de regulamentos e, sobretudo, ações de modo que se diminua tanto o peso dos próceres de um lado como o dos “prendo e arrebento” de outro?

    As duas condutas predominantes acima citadas falham – e feio.

    O Josias também levantou a maior preocupação que todos os gremistas deveriam ter em relação à política e ao crescimento continuado do clube: a clara ameaça de não haver continuidade (o que é diferente de continuísmo), isto é, na provável ausência de sucessão sobretudo quando uma determinada gestão funciona.

    Não é chegada a hora de todos conversarem para aparar as arestas? Me parece que não há boa vontade de nenhum dos lados.

    []’s,
    Hélio

  3. Eu acredito que estamos e, pelo jeito, sempre estaremos presos nas gestões passadas. O estatuto nos obriga a fazer alianças com quem não conhecemos, nos obriga a fazer de conta que conhecemos pessoas para compor uma chapa para o Conselho.
    É óbvio que sempre estaremos presos a esse eterno ranço político. Mesmo nome em todas as chapas, filho de fulano com nome em todas as chapas. Ou seja a coisa já começa viciada.
    Pouco importa o quanto esse ou aquele fez, se fez se eleje. Fui claro?
    Eu por exemplo. Tenho um grupo, Grêmio do Prata, e não me sinto próximo de nenhum dos que se apresentam hoje (talvez nenhum se sinta próximo ao meu também) mas para concorrermos teremos de nos aliar com alguém e para nos aceitarem teremos de comprar brigas antigas… E não tem essa de “não vou fazer isso”,ou faz ou não entra.

  4. Brunetto, agradeço teu comentário e tenho cópias daquele plano para que possas ler. É só combinarmos, ok?

    Helio, obrigado pelos elogios.

    Sem querer figir do debate proposto, me parece que este tema é tão amplo e complexo, que este espaço seria pequeno para que pudessemos expor com clareza o que pensamos e gostaríamos que acontecesse.

    Quem sabe os moderadores não provocam este debate em um encontro, onde de viva voz possamos declarar as nossas posições pessoais e trocar idéias?

    Em uma reunião civilizada, sem ranços e com o obejtivo único de debater o futuro político do nosso clube, eu seria ficha 1.

  5. Ah…
    Mas mesmo assim, mesmo com todos esses problemas… Eu sigo cada dia mais GREMISTA! Ao contrário de muitos que se decepcionam ao ingressarem na vida política do clube, eu só me motivo mais e mais para mudar o GRÊMIO e transfromar o nosso TRICOLOR cada dia mais no que ele merece ser.
    Ps. Muito boa a entrevista do Aiquel.

  6. Marcelo,

    Os moderadores do blog Sempre Imortal já tiveram a iniciativa de convidar vários gremistas para dois jantares na churrascaria Costela no Rolete, bem próxima ao Olímpico e à Zero Hora, na rua Marcílio Dias.

    Já participaram nomes como Gabriel Fadel, Eduardo Bernardon, César Dias, Carlos Josias, Cacaio Azambuja, Adalberto Preis, presidente Duda Kroeff, Vitor Ruschel, nossa cônsul em Punta del Este, Alexandre Mello, Juliano e Paulo Roberto Ferrer, Cacalo, Raul Régis e bastante gente nova disposta a conhecer e a ajudar, tais como: Minwer Daqawiya, Marcos Almeida, André Kruse, Charles Hansen e tantos outros.

    Mesmo quando é necessário falar sério, os jantares têm sido bastante descontraídos. Não é nada formal e acho que é um intercâmbio interessantíssimo entre gremistas de vários movimentos.

    Só lamento não terem comparecido ainda caras como tu, o Darcílio Messias, o Raul Iserhard, o Tequila e, particularmente, os moderadores, que elegem volta e meia o Josias ou o Bernardon para transmitir as boas-vindas ao grupo!

    []’s,
    Hélio

  7. Mais uma bela entrevista do Blog com um gremista dos mais inteligentes e “talibã” na defesa do Grêmio e de suas idéias.
    Fosse eu um que que tivesse formulado os questionamentos, perguntaria a origem do apelido “talibã”, pelo qual o Marcelo também é conhecido…
    Hélio, ta na hora de provocarmos outro jantar no Costela e reunirmos todos os que, por motivos outros, não puderam estar presentes.

  8. fugindo um pouco do tema, mas a mula do Danilo Silva ta sendo vendido por 4 milhões de euros pra ucrania.
    Enquanto isso o Rever sai só por 5 milhões de euros!
    É pra enlouquecer qualquer um!!!

    É isso que eu digo, não sabemos negociar ou valorizar nosso produto principal…

    Danilo Silva é um Thiego menos moreno!!

  9. Parabéns Marcelo.
    Sinceramente. Melhor do que ver o Vitor, o Mário Fernandes e o Borges jogando, é ver esta renovação acontecendo aos poucos na política do Clube.
    Como um gremista que também viu Babá, Joãozinho, Alcindo e Volmir jogando, quero dar minha palavra de incentivo a todos os que, como você, estão lutando por estas mudanças.
    Força aí. Não desista nunca. O trabalho de vocês com toda a certeza ainda vai produzir muitos frutos.

  10. Fala, Marcelo Aiquel! Marcelo é um cara inquieto por natureza, com opiniões fortes e muitas vezes controversas. Conselheiro novo, mas conhece muito bem a política do Clube. Excelente entrevista, parabéns mais uma vez ao Blog pela sua plularidade, Abs.
    Alexandre Mello

  11. Muito legal conhecer um pouco mais sobre o Marcelo Aiquel. Faltou ele falar sobre a relação dele com o automibilismo.
    E o Alexandre Mello resumiu o espírito do blog, pluralidade.
    Pra quem pensava que era um blog chapa branca, se engana. É um blog de gremistas, pra gremistas e feito por gremistas. Aqui fala o presidente Duda, fala líderes da oposição, fala quem defende com unhas e dentes a direção, fala o torcedor.
    E até agora eu não entendi pq ele não foi incluido na rede BloGrêmio.

  12. Conheço o Marcelo Aiquel desde os remotos tempos do SOS.Um cara reto, digno, coerente, honesto, que coloca de forma contundente as suas opiniões e que não tem “dobradiça na espinha”. Estamos juntos até hoje na vida política do Grêmio justamente por essa identificação de adjetivos e qualidades, algo que muito me honra . Na condição reacionária de “noviço” como alguns ainda pejorativamente teimam em qualificar quem é novo no CD, afirmo com todas as letras que o Grêmio como instituição tem muito a crescer com este ” noviço” chamado Marcelo Aiquel. Parabéns para o Marcelo pela entrevista e pela feliz decisão dos responsáveis pelo site em entrevistá-lo.
    Eduardo Caminha

  13. ( ninguem vai derrubar o Al Disney, parem de se esforçar …. )

    SOBRE MARCELO AIQUEL.
    Nos conhecemos brigando. Forte. Primeiro num programa de rádio, depois por uma troca de emails. Acho que somos muito parecidos – se me permite, Marcelo, me comparar ao amigo. Somos Gremistas extremados, pontos de vistas fortes, opiniáticos, não guardamos segredos sobre o que pensamos – o que nos custa muito caro às vezes e nem sempre é politicamente correto – mas acho que dentre incontáveis defeitos guardamos muita sinceridade no que dissemos mesmo com todos os riscos que isto possa representar o que até nos faz ( me faz seria melhor falar só por mim aqui ) parecer corajosos. Nem tanto, ao menos de minha parte, porque às vezes quando vi, já disse, já escrevi. Enfim. Depois da primeira impressão e das primeiras e breves rusgas nos aproximamos e nasceu uma grande, fiel e leal amizade. Quase vizinho de bairro, emprestamos um ao outro quase que o título de ´confidentes`, das (in)certezas, das dúvidas, das angústias, aflições, e esperanças sobre o nosso Grêmio, e de coisas muito pessoais, muito particulares também. Foi uma das tantas coisas boas que me proporcionou o Grêmio e a paixão que nutro por nosso clube. Sou suspeito, por isto, para dizer se a entrevista foi ou não boa. Descobri nele algo que estava e muitas das vezes fica escondido na maioria das pessoas com as quais não se tem intimidade – e digo na maioria porque tenho fé no ser humano e parto do pressuposto que todo mundo é bom – um coração imenso, acima do que ele possa revelar, por mais exacerbado que possa ser ao enfrentar este ou aquele tema, e por mais certo ou errado que possa estar.
    Figuras como o Marcelo me enchem de orgulho de ser Gremista !

  14. Meu caríssimo amigo Josias

    Tirando fora a tremenda gentileza que tu sempre me emprestou (depois que quase nos engalfinhamos por causa de terceiros), saiba que a recíproca dos teus elogios é verdadeira.

    Este “nosso” jeito de não segurar o que pensa, de não aturar a hipocrisia, de lutar pelo Grêmio e pelas causas em que acreditamos, nos qualifica como TALIBÃS, como sou ironica ou carinhosamente chamado lá no Grêmio.

    Mas, te confesso, meu bom amigo: prefiro ser um TALIBÃ (guerreiro, combativo, brigador, mas com ideal e rumo) do que ser um tipo que se verga, dobra e se amolda às circunstâncias e condições, em nome de uma surrada tese de que “é pelo bem maior do nosso clube”.

    Não sou (nem somos) radical ao ponto de ficar cego diante de evidências, mas do mesmo modo, não contem comigo para “arranjos” políticos que cheiram mal.

    Por isso, da nossa briga restou esta admiração forte.

    Tu sabes que muita gente nos critica por sermos tão amigos. Mas, quer saber? CAGUEI prá quem pensa assim.

    Abraço

  15. Ao “irônico” Roberto S. (que pode ser Souza, Silva, Soares, Salomão, ou “Sou um fake que não se identifica nem mostra a cara”).

    Em primeiro lugar, jamais pretendi assumir qualquer cargo do departamento de futebol do Grêmio.

    Depois, nas pouquíssimas vezes em que “dei um pitaco por lá”, uma delas foi para indicar o Baltazar (sim, ele mesmo!) para o Grêmio. O Verardi, que ainda é vivo, poderá confirmar isto, caso o nosso prezado Roberto Sem Sobrenome não acredite.

    Continuando, caso ele não saiba, o Baltazar foi um centroavante multicampeão pelo Grêmio, e, além de nos dar o 1º Título Nacional (gol dele, se o “irônico” não sabe) ganhou a Chuteira de Ouro, como o maior goleador do Brasil, disputando contra o Zico, por exemplo.

    Nem vou perder tempo para explicar a ele o que representou o Eurico na lateral direita do Grêmio, até porque contra má vontade e ironia, o melhor remédio é ignorar.

    Roberto, opinião é algo pessoal. Cada um tem a sua. Se o senhor ficou incomodado com a minha escolha, quem sabe – após estar devidamente identificado – peça para ser o entrevistado (eu não pedi, que fique bem claro) e monte o seu time ideal.
    Tenha certeza absoluta que não vou ridicularizar suas escolhas, sejam lá quais forem.

    Até porque respeito é uma coisa boa e saudável.

  16. Pra alguém conseguir falar mal do Baltazar é por desconhecer futebol e, pior, a história do Grêmio.
    Lamentável.
    Na minha modesta opinião, Baltazar marcou o gol mais bonito e importante da história do Grêmio naquele 03/05/81 contra o São Paulo.
    A nossa história mudou a partir daquele gol.

  17. O blog cumpre de novo sua missão valiosa de aproximar gremistas de opiniões diferentes.

    Não o conheço pessoalmente mas a discussão acalorada que foi tantas vezes referida pelo Marcelo Aiquel revela seu gremismo e grande interesse pelo clube, que é o que se precisa.

    cbimbi

  18. Eu vi com a camiseta nove do Grêmio: André Catimba, Alcindo, Lima e por aí vai, ninguém aqui negou que Baltazar entrou para história e que foi grande centroavante, mas definitivamente não é dos que eu sinto saudade, mas agora ficou explicado o pq da escolha, foi indicação sua, vemos o Ferdinando como titular do Grêmio hoje justamente por ser indicação do treinador.
    Baltazar foi jogador importante, mas quando precisamos dele para acertar o penalti da primeira partida em 81 ele não funcionou, quando o resultado de 0x0 era suficiente devido a grande atuação do Paulo Isidoro na virada que ocorreu no primeiro jogo el foi lá e fez, grande gol, lindo gol, mas apenas complementar, por terrível que possa parecer,naquele jogo eu lembro muito mais do Leão, do Vilson Tadei e do Paulo Roberto(nesta lista tem dois que depois disso jogaram sua história no Grêmio na lama)
    O Bernadon não entendeu a minha resposta, e reintero que uma coisa é ser grande jogador, outra é estar na seleção de todos os tempos, eu não vi o Airton jogar, me lembro pouco do Ricci, mas se era para escalar o Ricci então pq não o Gessy? Sei que as escolhas são pessoais, com certeza eu estaria feliz de ter o Baltazar hoje, mas eu queria mesmo era o Catimba.
    Diferente do que o Aiquel pensa eu não usei de ironia e sim de sarcasmo, se necessitas saber quem eu sou, solicite meu email a quem tenha neste blog a possibilidade de o fornecer, desde já fica autorizado, mas eu que acompanho o blog por tanto já vi varias vezes por aqui sobre a discussão sobre anonimato e creio que se não me fosse permitido participar desta forma deveria meu comentário ser bloqueado, desde já lhe adianto que atrás deste ‘S’ encontrarás um gremista antigo, que não participa de movimentos e quer o melhor para o Grêmio, não entrei aqui para escrever escondido atrás de mascaras de movimentos de oposição ao seu, pode ficar tranqüilo.
    Lembro que toda opinião é suscetível de critica, assim como absorvo bem a resposta dos que por simplismo preferem referenciar que eu não entenda de futebol, sempre foi mais fácil atalhar desta forma, mas entender que estamos falando do Grêmio de todos os tempos me leva a ficar assustado que se você puder em igualdade de condições contratar qualquer centroavante que jogou no Grêmio vc contratará o Baltazar e é disto que estou falando.
    Quanto ao Eurico não posso realmente falar, pq apesar de o ter visto jogar não tenho uma lembrança tão clara assim, em serviços prestados eu o compararia ao Nelinho.

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