O reino da opinião furada

Faz tempo que eu queria escrever sobre o papel da imprensa esportiva na vida do futebol, viagra especialmente aqui no Rio Grande do Sul, um Estado conhecido pela grande rivalidade da dupla Grenal, historicamente bairrista e defensor ao extremo de suas maiores entidades esportivas. A imprensa tem um papel muito importante na alimentação dessa rivalidade e, claro, na repercussão de tudo que acontece dentro e, principalmente, fora de campo. O esporte é uma das poucas editorias do jornalismo onde se é possível opinar e questionar as informações. Como jornalista, formando e diplomado, me sinto à vontade para falar sobre a questão.

Foto: Gil Leonardi

Sei que o assunto é espinhoso, mas vale a polêmica e a discussão. César Luis Menotti, técnico campeão do mundo em 1978 com a seleção argentina, certa vez disparou sua metralhadora giratória contra os jornalistas esportivos de seu país: “Son los invictos. Ellos nunca pierden” (traduzindo: “Eles são os invictos. Nunca perdem”). Quando passou pelo Brasil, em 2005, o também argentino Daniel Passarella se dirigiu da mesma forma que Menotti aos jornalistas de São Paulo após uma derrota do Corinthians, time que comandava na época. A frase retumbou como uma bomba nas capas de jornais, foi assunto principal nos debates de rádio e televisão e causou revolta nos que se sentiram incomodados com a verdade expressada pelo capitão no título mundial de 78.

Aqui no Rio Grande do Sul, infelizmente nossa imprensa esportiva está cheia de “invictos”. É o reino da opinião furada e da quase informação. Os absurdos chegam em níveis estratosféricos próximo a períodos de fechamento de janela de transferências. As palavras mais estampadas nas manchetes são “teria interesse”, “pretende contratar”, “deve fazer sondagem”, “não descarta”, “só falta o fax da Rússia” e “poderá negociar”. Frases jogadas e publicadas ao vento sem um pingo de apuração jornalistica ou qualquer mínima informação. É a “síndrome de Felipe Lemos”. A “barrigada” é livre e permite todo o tipo de aberração como, por exemplo, o suposto interesse do Grêmio em contratar Riquelme.

No campo da opinião a coisa é ainda mais lamentável. Os repórteres/setoristas por vezes se vêem reféns de informações plantadas por empresários e atravessadores. Porém, os supostos analistas/comentaristas dão um show de falta de conhecimento e pouco entendimento de questões básicas do jogo de futebol. Simplesmente dizer em que esquema o treinador armou o time não é ser um conhecedor de táticas. Outro problema é a tal da “cultura da terra arrasada”. Numa semana o time é o melhor do mundo e após duas derrotas já vira a pior coisa do planeta. E ainda, sempre que isso acontece se cria uma pressão para que o clube contrate dezenas de pernas de pau para dar uma suposta satisfação à torcida.

Por fim, tomei a decisão de não mais levar radinho de pilha para o estádio. Desculpem, mas se é para ouvir alguém que entende menos do que eu, prefiro ficar com meus argumentos e debater com o desconhecido ao lado ou o amigo mais próximo. Jornais só leio as notícias de polícia. Internet é pra baixar música. Informações sobre contratações do Grêmio só acredito quando estiver no site oficial ou quando ver o cara em campo suando a camiseta. Futebol é coisa séria. Imprensa também. Por que não unir as duas coisas ao invés do circo que estamos acostumados a ver, ler e ouvir aqui no Rio Grande do Sul?

VAMOS TRICOLOR!!!

@ottohnetto

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