O Grêmio não dá sorte com argentinos

Raça, tadalafil garra, entrega em campo, técnica apurada, toque de bola, vibração, torcida barulhenta e apaixonada. Estas características poderiam muito bem descrever o tricolor gaúcho, sua história e seus apaixonados seguidores que seguem até a pé, onde o Grêmio estiver. Estas qualidades, tão esquecidas no futebol de hoje, também se encaixam ao estilo de jogo praticado em um país sul americano, com pouco mais de 41 milhões de habitantes e o idioma “hablado” é o espanhol.

Foto: Lucas Uebel / Grêmio FBPA

A troca de Ezequiel Miralles por Elano, anunciada de forma oficial nessa segunda-feira, revela que o Grêmio realmente não leva sorte quando contrata jogadores argentinos. Ao longo das décadas, vários hermanos vindos de Buenos Aires, Rosário ou Mendoza passaram pelo Olímpico sem deixar saudades. Lá pelos anos 70, tivemos o centromédio Chamaco Rodriguez, Nestor Scotta (autor do primeiro gol tricolor na história do Brasileirão), o goleiro Agustín Cejas, o atacante Oberti e o ponteiro esquerdo Ortiz. Todos sem grande brilho com a gloriosa casaca azul, preto e branco.

Os anos 1980, foi a época em que os argentinos começaram seu êxodo para o futebol europeu, graças ao sucesso de Dom Diego Maradona e os títulos mundiais de 1978 e 1986. Vieram para o Olímpico o atual treinador da seleção Alejando Sabella, jogador técnico, mas de temperamento bem diferente de seus compatriotas. Mais uma vez, o Grêmio contratou um argentino que não tinha personalidade de jogador portenho. O mesmo que aconteceu no caso Miralles. É incrível, como estes atletas não lembram em nada o espírito que qualquer jogador da série B do campeonato argentino esbanja dentro de campo. São caras sem alma, sem o sangue nos olhos que é necessário para vencer aqui pros lados da Azenha.

A partir de janeiro de 2000, uma enxurrada de atletas argentinos chegaram ao Grêmio em uma época de muitas contratações e poucas afirmações. Da época da ISL, lembremos Gabriel Amato e Leonardo “El Jefe” Astrada. Após o calvário e o fim da Batalha dos Aflitos, vieram o atacante quase gol Herrera, os pseudo xerifes Maidana e Schiavi, e o goleiro Sebastián Saja, que chegou com fama de craque e saiu tachado de frangueiro.

Por fim, o Grêmio investiu em três atacantes argentinos que foram uma decepção total: Máxi Lopez (mais conhecido por causa das curvas de sua mulher), Damián Escudero, Facundo Bertoglio e Ezequiel Miralles. Infelizmente, jogador argentino no Grêmio só joga e é reverenciado pela torcida porque fala espanhol e não pela bola que joga. Quem será o próximo hermano a desenbarcar no Olímpico.

Vamos Tricolor!!

@ottohnetto

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