O ERRO GREMISTA

“Eu quero um Grêmio que possa morrer”.   Por Ranieri Mattos

 A apatia do time do Grêmio não é falta de ambição, sale como pensam alguns. Não é porque os jogadores não têm “alma”, troche garra ou qualquer que seja o conceito abstrato que julgamos ser a origem do amor à camiseta.

Temos que parar de ser ingênuos. Precisamos acabar com essa bobagem de achar que futebol se ganha na força, cure na trombada, enfim, no anti-jogo. A garra advém da identificação com o clube. Identificação vem do orgulho. Para um jogador profissional, orgulho é vestir a camiseta de um time que é valorizado no mercado da bola. Ou tu acha que o cara vai entrar numa dividida arriscando comprometer a carreira por um clube que talvez não lhe renda vantagem profissional? Futebol é um negócio. Torcedor é consumidor, cliente.

Não precisamos de uma direção que chute a porta do vestiário porque o time foi apático em campo. A apatia do time é um reflexo do “erro gremista”. O “erro gremista” é achar que a força se sobrepõe à técnica. O futebol moderno, de alto nível, não se sustenta com raça. Insisto, a raça do jogador profissional vem do orgulho de vestir a camiseta de um clube valorizado no mercado. A “alma”, a identificação com um clube é consequencia da valorização que esse clube dá ao jogador. É o feed-back.

A atitude aguerrida no campo é consequencia do sucesso e não o contrário.

 

Me irrita profundamente quando um torcedor do Grêmio exalta a “imortalidade” logo após uma derrota. Na verdade me irrita quando falam Grêmio Imortal em qualquer circunstância. A ideia da imortalidade nos traz uma apatia sem tamanho. Pra que lutar, pra que nos preocuparmos, se somos imortais? O medo da morte é legitimo e nos deixa em um estado de alerta necessário à luta. Esse conceito criado em um momento difícil pela torcida, que foi rapidamente absorvido pela atual direção, tem sido usado como estratégia de marketing. Ele é usado, inclusive, como pré-requisito para se ser um jogador do Grêmio. Os próprios jogadores falam que “no Grêmio é diferente”, pois aqui a torcida exige que se jogue com vontade e determinação porque somos imortais. Ridículo!

Não é o presidente, a torcida é o responsável direto pelos insucessos gremistas. As atitudes da diretoria são um reflexo da demanda da arquibancada. Essa indignação que agora surge contra o ODONE não vai dar em nada se continuarmos apelando pra imortalidade ou se continuarmos acreditando que futebol se ganha na força. Temos que exigir a modernização, a profissionalização do clube.

Precisamos criar um ambiente na Arena que atraia o profissional e não procurar um profissional que se adapte ao “erro gremista”. Pode vir o time da Espanha inteiro que não vai dar certo.

 

Acordem, o Grêmio era copeiro quando era MORTAL. Hoje é um zumbi que não morre nunca. Me deem um tiro no peito. Cortemos as cabeças dos imortais gremistas! Prefiro que o Grêmio morra do que se torne um Atlético Mineiro.

 

Texto de autoria do leitor Ranieri Mattos pelo Facebook.

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