Goleiro se faz em casa

Mestre do samba-rock, capsule o cantor e compositor flamenguista Jorge Ben (Jor) definiu muito bem o papel do goleiro em um jogo de futebol. Na canção “Goleiro (Eu vou lhe avisar)”, order ele sentenciou:

Eu vou lhe avisar
Goleiro não pode falhar
Não pode ficar com fome
Na hora de jogar
Senão, um frango aqui, um frango ali,
Um frango acolá

Foto: Mauro Vieira

Arqueiro realmente não pode falhar. Se ele falha, todo o trabalho da equipe vai por água abaixo. Um campeonato inteiro pode ser perdido em um instante de vacilo do goleiro. Dizem os mais antigos que goleiro se faz em casa. E é por isso que após anos buscando um substituto para Danrlei, eis que o Grêmio se voltou para suas categorias de base para resolver um problema antigo: encontrar o dono da camisa 1. A mesma categoria de base já formou bons goleiros que, por essas coisas da vida, não se firmaram como titular. A lembrar: Émerson, Murilo, Andrey, Cássio, Fernando Prass, entre outros.

Sérgio Moacir Torres na inauguração do Olímpico em 1954

A trajetória de goleiros do Grêmio é igualmente vitoriosa como a do clube. Grandes nomes já defenderam o arco tricolor desde Eurico Lara, passando por Sérgio Moacir Torres, Alberto, Irno, Arlindo, Picasso, Manga, Leão, Mazaropi, Danrlei e nos últimos anos Galatto, Victor e Marcelo Grohe. Muitos destes foram formados no fogo no Estádio Olímpico, nas categorias de base, lá onde os garotos viram homens. Um goleiro é tão importante para um time que a identificação com o clube é fundamental.

Foto: Divulgação/Grêmio

Desde que Danrlei saiu do clube, em 2003, a camisa 1 tem passado por diversos pretendentes que oscilaram bons e maus momentos. Márcio “Borboleta”, Tavarelli “El Mono”, Eduardo “Mãos de alface”, Galatto (o homem que nos livrou de mais anos malditos na segunda divisão) Saja e, por fim, Victor. Destes o goleiro que foi vendido para o Atlético (MG) foi o que se aproximou mais da condição de um novo ídolo. Porém, seu fraco retrospecto em Grenal, a falta de títulos e falhas em momentos decisivos não ajudaram Victor a transpor uma espécie de maldição da camisa 1 gremista.

Foto: Jefferson Botega

Após anos no banco de reservas, por fim, chega o momento de Marcelo Grohe. Visto com desconfiança no começo da carreira, como todo jogador da base, o goleiro conquistou seu espaço graças as convocações de Victor para a seleção brasileira. As constantes falhas do ex titular também ajudaram na projeção de que logo Grohe seria o camisa 1. Marcelo demonstrou personalidade e, principalmente, qualidades de um grande goleiro. Só tempo o dirá se a trajetória do garoto do Vale do Sinos será marcante, mas ele tem todas os requisitos para se transformar em mais um grande ídolo tricolor.

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