Direto do Grêmio Acima de Tudo: GAUCHÃO – UM SUCESSO

Crônica de um torcedor desiludido.

Estou aqui, order neste sábado de carnaval, viagra nesta manhã de dia ensolarado, help rodeado dos filhos e da mulher, aproveitando o pouco tempo que ficamos juntos e me perguntando: Porque eu vou ao jogo hoje?
Num primeiro momento, disse: Não vou. Vou aproveitar o dia com a família. Mas dois minutos após decidi: Claro que irei. Não há motivo algum que atrapalhe a minha ida ao jogo neste campeonato maravilhoso. E mais, vou levar toda a família.

Vou divagando e vão passando pela minha cabeça todos os motivos que me fazem vibrar com esta rodada do campeonato.

O Gauchão é organizado. Lembro que no ano passado, quando do Grenal de Erechim não havia luz no segundo tempo do jogo. Para este ano, já que o Grenal repetiu-se na cidade, a organização da competição com certeza deve ter se preocupado com este pequeno detalhe e providenciou a iluminação necessária para o jogo mais importante e mais badalado do certame.

Aqui é diferente. A vedete é um termômetro! Que bola que nada. Jogadores renomados, nada disso.

Vou pegar os filhos as 15hs e vamos de ônibus, assim chegaremos cedo ao estádio. Vamos aproveitar o melhor transporte coletivo do país neste feriado de carnaval, pois deve passar com freqüência no meu bairro.

Agora as 10:30 esta 31 graus, mas tenho certeza que as 16hs a temperatura não estará mais do que 35 graus. Já que a Federação não preocupou-se com a prorrogação para um horário mais tarde. Vou confiar na entidade máxima, apesar de 3 meteorologistas falarem que as 16hs estará quase 40 graus.

Afinal, porque não confiar em alguém que preocupa-se com o torcedor, que carrega embaixo dos braços a nossa bíblia, o Estatuto do Torcedor. Estou protegido. Tenho a convicção de que a janta em família marcada para as 18hs sairá pontualmente. Jamais nos deixarão no sol a pino esperando 30 minutos prorrogáveis por mais 30 para depois transferir a partida. Até porque, ai do juiz que faça isso. O gancho será exemplar…

Se tivermos que aguardar um pouquinho mais, sei que não há problemas, pois a infra-estrutura dos estádios é sensacional. Temos inúmeros bares com opções de lanches e meus filhos podem assistir a preliminar do jogo…
Além do mais, todos os jogos serão disputados na mesma hora para obedecer o regulamento da competição, não vão?
Se perdermos, temos um incentivo. Um bônus dado pelos organizadores do campeonato. Se o Inter perder para o Esportivo em Bento Gonçalves e o Grêmio perder para o São José em Porto Alegre, o Grêmio terá vantagens nas finais. Jogará todas as partidas em casa pelo turno, porque será o primeiro colocado, mesmo tendo menos pontos que todos os qualificados na chave 2.

Além do mais, minha família confraternizará com a multidão que estará presente. O gauchão 2010 me faz lembrar da “caravana da miséria” de 1994. Não, perai isso é uma injustiça. Em 94 os jogos tinham público de mais de 200 pessoas por partida. Agora o campeonato apresenta times competitivos. Vejam o sucesso de Público do Porto Alegre, com estádio próprio, pujante com iluminação noturna. E a casa do glorioso Universidade? Paga um aluguel ao Inter para jogar na Ulbra……. Lá lota. Lota um carro Mini de 2 lugares, público médio de 3 pessoas, excetuando o jogo contra o Grêmio.

Então, não há motivos para deixar de ir. Aliás, vou sair mais cedo para não perder o espetáculo. Afinal, a propaganda feita em cima da competição é fantástica e é fruto do tour que os clubes gaúchos fizeram na Europa há meses atrás para trocar experiências de marketing com o Milan e com o Barcelona.

Todos juntos aos estádios hoje.

Fonte: http://gremioacimadetudo.blogspot.com/2010_02_07_archive.html#8167274434182240162

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7 comentários

  1. Gostei da ironia contida na boa crônica sobre um campeonato que não deveria mais existir há muito tempo.
    Pelo menos para a dupla Grenal, que só perde dinheiro, não cresce na preparação (os parâmetros são pífios) do time, fica exposta a lesões graves, e enfrenta equipes com plantéis muito pobres tecnicamente.
    Todo mundo sabe quem lucra com este campeonato, não é?
    Por que não escalar um time “B” (ou mesmo “C”) e deixar os principais fazerem uma pré-temporada de verdade, jogando contra equipes do mesmo nível, como fazem os argentinos, por exemplo?
    Falta de coragem para romper com esta Federação arcaica e ultrapassada?
    Só pode ser, porque os interesses de Grêmio e Inter não se confundem com os da FGA, com certeza!

  2. O Marcelo Aiquel pego o espírito da coisa.
    Esse gauchão não leva a absolutamente nada.
    Chega da gente ficar nessa balela de valorização do futebol do interior e tal e coisa.
    Só serve pra desgastar os clubes e fazer com que os “empre$ários” ganhem muita grana.
    Só que o Marcelo Aiquel confundiu as federações.

  3. Misturei as bolas, trocando a sigla FGF (futebol) pelo da FGA (automobilismo), certamente pelo forte envolvimento que tenho com o esporte motor.

    Falha nossa….hehehehehe

  4. Marcelo Aiquel e Brunetto,

    Sou veementemente contra a atuação de federações estaduais em nível profissional e contra a enorme facilidade de considerar clubes envolvidos em um contexto socioeconômico e cultural absolutamente desfavorável como “profissionais”.

    Certa vez, mandei um e-mail para praticamente todos os colunistas esportivos da mídia corporativa gaúcha. Naquele momento, acredito ter lembrado de pelo menos 80% deles. NENHUM me respondeu. Isso prova que o problema não refere-se apenas à RBS mas, sim, a mentalidade comercial dos veículos como um todo e à ignorância de quem sequer observa o futebol além do Mampituba.

    O plano e as variáveis são bastante extensos, já que envolvem todo o calendário sul-americano e dependem de uma sinergia hoje bastante breve entre federações nacionais e Conmebol. Portanto, me restringirei somente às razões pelas quais considero que o atual formato dos torneios estaduais de futebol masculino adulto em geral é prejudicial ao esporte e benéfico exclusivamente para as federações e para a corporação midiática detentora dos direitos de transmissão das partidas.

    Pra começo de conversa, os pequenos clubes com aspiração de crescer e de manterem-se em um patamar competitivo dependem – muito mais do que os grandes clubes – de uma série de fatores. A saber:

    1) PERFIL DA TORCIDA: o envolvimento da comunidade local com o clube a partir de uma relação que suplante tanto a presença nos jogos em casa (que precisa ser constante e com uma determinada média de público) como o consumo de produtos oficiais não é suficiente. No caso do RS, sabe-se que a esmagadora maioria dos torcedores locais, na verdade, são gremistas e colorados que não brigam entre si e que reforçam seus laços a partir da agremiação à qual têm acesso direto. A parte social (piscinas, esportes recreativos, escolinhas esportivas, salão de festas e organização de eventos) é muito mais importante do que os resultados e o entusiasmo com o futebol profissional. Os únicos torcedores fiéis dos pequenos clubes restringe-se às gerações de ex-dirigentes e ex-atletas. Portanto, o potencial de mercado de quase todos os clubes do interior é diminuto;

    2) MERCADO CONSUMIDOR: se não houver a possibilidade dessa torcida se capilarizar para uma região demográfica maior, o potencial de consumo que a classe média meramente local é capaz de proporcionar à instituição certamente será insuficiente para que se obtenha patrocinadores de alcance estadual, nacional ou internacional interessados em investir. Com isso, raros serão os clubes com categorias de base ativas e capazes de atrair profissionais de maior qualidade pelo fato de não ser possível pagar salários de pelo menos R$7.000,00;

    3) PATRIMÔNIO: se o ambiente acima descrito não permitir o investimento, o planejamento e a gestão de gramado, iluminação, vestiários e segurança do estádio, estamos diante de amadores. Afinal de contas, são incapazes de proporcionar conforto e respeito tanto para os seus como para os adversários.

    Isso posto, à exceção da insatisfação de novos aspirantes a dirigente com maior escolaridade e melhores contatos comerciais com os métodos de gestão antigos de um clube já existente ou por rivalidades quase sempre infantis, qual o sentido de uma cidade com menos de 500 mil habitantes possuir mais de um clube dito “profissional”? Vejam os casos de Caxias do Sul, Pelotas, Passo Fundo, Santa Cruz do Sul, Santa Maria e Rio Grande, por exemplo: nenhuma dessas cidades poderia ter mais de um clube profissional. Mesmo Porto Alegre não possui espaço para mais de dois clubes.

    Mesmo nas cidades onde o trabalho é bem feito quase todos os anos (Veranópolis, Campo Bom) ou onde o futebol funciona qualitativamente bem apenas de maneira sazonal (nas grandes acima citadas, mais Ijuí, Erechim, Bento Gonçalves ou Novo Hamburgo), a estrutura não permite que esses clubes disputem a Série C do Brasileirão com boas chances de subir à B e, menos ainda, da B para a A.

    O Brasil possui hoje aproximadamente 550 clubes federados em todos os estados. No papel, são considerados profissionais. Em uma depuração que deveria ser feita no país inteiro nos moldes do que se tem na Alemanha e na Inglaterra, todos têm o direito de participar em uma liga. Todos podem jogar e aspirar crescer. As divisões amadoras e profissionais estão todas interligadas, de maneira que o potencial de investimento quase sempre determine a possibilidade de obter resultados significativos e subir de nível. Mas isso não ocorre no Brasil.

    Em nível profissional, nenhum clube disputa campeonatos estaduais, provinciais ou municipais: a escala mais baixa do profissionalismo (principalmente na Inglaterra, e na Alemanha) desenvolve-se a partir de regiões. Portanto, abaixo da Série D do Brasileirão deveria haver ligas REGIONAIS (Sul, Sudeste, Centro-Oeste, Norte, Nordeste e até umas cinco subdivisões em cada uma dessas regiões, porém não vinculando-as exclusivamente a um estado ou a outro) sempre classificatórias para a Série D. Esta, por sua vez, deveria rebaixar pelo menos 30% de seus participantes para as ligas regionais, a fim de haver estímulo e rotatividade constantes para essa escala menor do nosso futebol.

    De outra forma, o parâmetro de comparação municipal e circunvizinha permanecerá sendo insuficiente para o crescimento: hoje, a globalização da informação e da economia valorizam exponencialmente o trabalho intelectual em relação ao trabalho braçal. Por isso, o bem simbólico e imaterial vale exponencialmente mais em relação ao bem material se compararmos com a modernidade (hoje um período histórico antigo, baseado na industrialização e na venda de commodities). Contudo, isso modifica também a cultura, agora ubíqua em função da internet, em que “estar em um lugar é estar em todos os lugares ao mesmo tempo”.

    Isso explica em parte o fato de haver a predominância de clubes no estado de SP e de clubes paulistas nas séries C, B e A do Brasileirão: 40% da população do país vive naquela unidade federativa, além do fato de que aproximadamente 60% da economia do país circula por lá: enquanto a “briga” do São Luiz for contra o Ypiranga e o Gaúcho, ele irá morrer na 1ª fase contra o Atlético de Ibirama-SC. Como os paulistas pensam além e se preocupam com estrutura e gestão, eles almejam no mínimo as quartas-de-final pensando sempre em subir. Nesse ponto, pensar no Guaratinguetá é muito mais significativo em termos de objetivo de crescimento a médio prazo.

    Quem não puder pensar dessa forma, precisa investir em esportes profissionais cuja infraestrutura necessária seja muito menor e cuja possibilidade de intercâmbio nacional sejam muito mais alta do que no futebol. O futsal e o vôlei mobilizam muito mais a comunidade e possibilitam o interesse de um investimento forte e continuado a partir de grandes indústrias de commodities da região.

    O futebol não é a saída e nem a paixão de todos. Seu modelo não serve para todos.

    Nesses termos, diria que não há mais do que 100 clubes profissionais de fato no país.

    []’s,
    Hélio

  5. Em dois anos, três lesões graves de ligamento no joelho só no gauchão: William Magrão, Souza e Lúcio.
    To pra ver um presidente do Grêmio com coragem pra bancar um time reserva ou junior no gauchão!

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