Tudo começou em meados de 1981 quando nasci. Meu pai, como gremista nato, vestiu-me com o manto tricolor desde as primeiras engatinhadas. Naquele mesmo ano, o Grêmio haveria de se sagrar (pela primeira vez) campeão brasileiro. Com o meu amadurecimento para a vida, meu velho passou a me levar ao Monumental para assistir ao ‘homem-gol’ Renato Portaluppi. Na memória, por incrível que pareça, tenho gravada a imagem de Henricão, forte zagueiro loiro, comandante da defensiva gremista por volta de 1987, o qual fez história significativa no Corinthians Paulista, anos depois.

Enfim, criei origens na Azenha e passei a frequentar as peleias gremistas na companhia de meu pai, meus Tios Rudi e Januário, além do amigo Pedal. O Imortal Tricolor levantou todas as taças possíveis por aqueles anos 80. Eu vi o festejado Flamengo de Zico e Júnior ser humilhado pelo Grêmio de Paulo Egídio e Cuca, Campeão da Copa do Brasil de 1989, pelo placar vexatório de 6 a 1. Veio o título de Supercampeão Brasileiro em 1990 e o inimaginável rebaixamento de 1991. Meu pai e meus tios haviam se desiludido com o clube após o rebaixamento e passaram a dar preferência aos seus negócios profissionais. Comecei a ir aos jogos com meu primo Digão, Tio Paulo e os amigos Felipe e Camila. Com Luiz Felipe Scolari no comando, ressurgimos das cinzas com o Grêmio Bicampeão da Copa do Brasil em 1994. Em sequência, o Bicampeonato da Libertadores em 1995, o Bicampeonato do Campeonato Brasileiro em 1996 e o Tricampeonato da Copa do Brasil em 1997.

Os desígnios de Deus quiseram que eu passasse a frequentar as peleias gremistas com o pessoal do colégio. Os títulos começaram a minguar. Até levantamos o tetra da Copa do Brasil em 2001, mas novamente fui abandonado pelos meus amigos com a seca de conquistas. O rebaixamento de 2004 veio na época em que eu já comparecia ao Monumental com a trupe da Faculdade de Direito. A Batalha dos Aflitos em 2005 e o Vice-Campeonato da Libertadores em 2007 pareciam alentar, porém, o Tricolor sofreu novos baques. Por óbvio, meus amigos também cansaram e terminaram por me abandonar.

Com um grupo fiel de tricolores, tão apaixonados pelo Grêmio como eu (os quais haveriam de um tempo depois formar o Mesa de Bar do Grêmio), acrescido do meu inseparável primo Digão, assisti às quase conquistas gremistas de 2008 a 2011. Com a minha aprovação em concurso público, fui residir em Teutônia, onde conheci um novo grupo de amigos tricolores. Comparecemos aos principais jogos de 2012, seja na Copa do Brasil, seja no Brasileirão. Veio o grande baque na Copa Sul-americana 2012 com a derrota incompreensível nos minutos finais para o Millionários de Bogotá/COL. O gremismo foi posto a prova mais uma vez. Com a campanha fraca na Copa Libertadores 2013, perdendo para Huachipato/CHI na Arena e Caracas/VEN no norte da América do Sul, bem como as eliminações bizarras nos dois turnos do Campeonato Regional deste ano, fui abandonado pela última vez por meus amigos gremistas (Fernando e Gugu de Westfália; Lucas e Vicente de Teutônia).

libertadores-1983

Eu já havia comprado meu ingresso de gramado central para as oitavas-de-final entre Grêmio x Independiente de Santa Fé/COL e, consoante o prometido, mantive minha promessa de comparecer a TODOS OS JOGOS DA LIBERTADORES NO PRIMEIRO ANO DA ARENA! Esse jogaço de quarta-feira passada pode ser o alento que faltava. Vargas e Fernando vêm jogando demais. Se o time jogasse sempre da forma que peleou, a torcida estaria extremamente confiante na conquista da América. O problema é que o time de Luxemburgo é muito inconstante. Cris provou que não pode mais fardar no Grêmio. Sua “experiência” não é necessária ao Grêmio. É preciso recuperar Werley, firmar Bressan como titular e dar confiança ao promissor novato Gabriel.

Essa história verídica que relatei a vocês supra, estimados leitores imortais, é decorrência notória da nossa falta de títulos. Só os gremistas mais fanáticos, apaixonados e doentes pelo clube seguem indo ao estádio e pagando suas mensalidades. Esse ano de 2013 é o último ano que irei prestigiar o Grêmio. Entendo, muitos de vocês já devem ter ouvido isso, porém é a realidade. Estou exaurido. Cansado de me decepcionar. Faz anos que vou ao estádio ver o Tricolor, na esperança de uma nova conquista, e a frustração acaba sendo o desfecho. É muito gasto financeiro para mim, que atualmente resido em Teutônia (mensalidade = 45,00; ingresso = 90,00; gasolina = 100,00; janta na arena = 13,00; flanelinha = 10,00. É muito desgaste emocional, a ponto de ficar chateado por dias com mais um baque do nosso amado clube. “O Grêmio não vem merecendo a nossa presença na Arena; o Grêmio precisa reconquistar o seu torcedor!” – afirmou de maneira muito coerente e sensata meu amigo Fernando Wiethölter, gremistão de Westfália. Ou o Grêmio ganha alguma coisa neste ano (qualquer coisa, Brasileirão, Copa do Brasil, Libertadores), ou eu me tornarei mais um torcedor de pay-per-view. E tenho certeza absoluta que este é o pensamento de muitos outros tricolores como este que vos fala.

Deveras, é a última ‘ratio’ gremista…

Tchüss, fussballteigers!!

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