A falta de identidade

Eu sou um torcedor das antigas, viagra sale daqueles que acredita que um jogador ainda possa escolher ficar num time porque quer, porque gosta do clube, respeita e vive feliz ali, independentemente do dinheiro que outro possa lhe oferecer. Sou fã de jogadores que jogam a vida pelo clube, mesmo que a técnica apresentada não seja a melhor, só a vontade de estar ali mais do que todos me agrada. Só para citar um exemplo recente: Tcheco. Não foi um craque, não nos trouxe títulos inesquecíveis, mas enquanto vestiu o manto tricolor o honrou de forma que muitos jogadores jamais o fizeram e por isso o tenho como um ídolo, pelo seu caráter, pela hombridade e respeito com o clube.

São raros os jogadores que passam por um clube e deixam sua marca sem títulos. Sequer consigo lembrar de algum jogador no Grêmio (da minha época) que tenha sido um “ídolo” sem levantar uma taça qualquer. E hoje, aparentemente, isso tem se tornado cada vez mais comum, jogadores que passam, entram e saem dos clubes sem serem notados e claro, boa parte disso é por causa do capitalismo que tomou conta do futebol. Mas todo esse entróito se deve a algo que venho notando nos últimos anos do Grêmio e principalmente desde a saída do Tcheco: o capitão da equipe.

O Grêmio nos últimos anos vem passando a braçadeira de capitão de jogador a jogador, sem qualquer critério de liderança, seja técnica ou de respeito, e isso de certa forma reflete um pouco a falta de identidade que há hoje nos clubes através dos jogadores, desses meros funcionários que passam por uma rotatividade tão grande como qualquer outra empresa e aí, amigos, provoca essa sensação falsa dos “ídolos” ou de uma necessidade de ter um. Tirando o Fábio Rochemback, que foi capitão da equipe por boa parte do período em que esteve no Grêmio, e o Victor que também teve um período com a braçadeira, qual outro jogador poderia ter sido capitão? Podemos enumerar vários aqui, mas será que eles tinham a capacidade de liderar, de honrar essa posição em campo? Só para ficar num exemplo de capitão totalmente sem noção: Douglas, o #barrigadecadela.

Me peguei pensando nisso pois este ano, o Grêmio já teve vários capitães. Gilberto Silva, depois que virou titular assumiu o posto, mas mesmo assim, não o vejo como um grande líder, um cara que chame a responsabilidade. Mas e quando o Gilberto Silva não joga? Já tivemos o Victor, o Werley, o Marquinhos e outros, até o Kleber acho que já foi capitão em algum momento. Na época do Caio Jr nem consigo me lembrar, mas acho que era o Victor, só para vocês verem como não existe a identidade dos jogadores com o clube, com os torcedores.

No último jogo do tricolor, Grêmio x Fortaleza, o Grêmio teve 4 CAPITÃES diferentes. Isso mesmo, 4, QUATRO, QUA-TRO.

Começou com o Werley (que está no Grêmio há pouco mais de dois meses) e passou para o Victor, quando o zagueiro saiu machucado no primeiro tempo. Na volta do intervalo o capitão já era o Marco Antônio, pois provavelmente o Luxa também não gosta de goleiros com a braçadeira e mandou trocar no vestiário, e aí, amigos, quando o Marco Antônio foi substituído o CAPITÃO da equipe virou o Marquinhos. Convenhamos, é muita falta de identidade um clube não ter sequer um líder dentro de campo, um único cara que diga que “essa porra é minha, dá aqui que eu comando”.

No meu critério de escolha de capitão, entraria o de mais gremista de todos e nesse caso, Fernando seria o cara. Não é o líder da equipe, mas é jovem, gremista, gaúcho e principalmente o melhor jogador da temporada, entende como funciona o jogo aqui e isso o motivaria para evoluir ainda mais. Porém, é claro, não é O LÍDER que eu imagino, mas quebraria um galho melhor que Marco Antonio ou Marquinhos, por exemplo.

Sei que talvez isso não faça diferença em um jogo ou outro, mas no conjunto da obra, tu ter um cara que lidere um grupo, que chame a responsabilidade, que dê um PEITAÇO (obrigado, Patrício) no juiz ou que simplesmente coloque a braçadeira e seja o DEUS em campo faz total diferença para se ganhar um campeonato ou para simplesmente honrar o manto e ser ídolo, respeitando o clube, respeitando os torcedores, dando a vida dentro do campo e sendo gremista, mesmo que não de nascença, mas de coração.

Acho que a falta de identidade dos jogadores com o clube é o que tem mais prejudicado não só o Grêmio, mas o futebol em si, a paixão do torcedor e todo o romantismo do jogo. Se isso não tem volta, se os dirigentes não perceberem isso, se a torcida não entender que o futebol se faz com ídolos, mesmo que esses não sejam craques de bola, o futebol vai virar (se é que já não virou) uma empresa com funcionários sem identidade, apenas desejando um salário maior aqui ou acolá.

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