A base vem forte?

Com a chegada de Thiago Neves e a iminente aquisição do Diego Souza, Renato em entrevista coletiva no pós-jogo contra o Brasil largou essa: “Gostaríamos de buscar jogadores mais jovens, mas cadê? A gente tentou buscar, pensamos e procuramos, mas não tem. É um problema até na Seleção Brasileira, então eu peço que o torcedor compreenda”.

Obviamente que essa afirmação deve ao menos ter colocado uma pulguinha atrás da orelha de muitos jovens atletas da base do Grêmio. Serão eles aproveitados no elenco principal ou pela avaliação do departamento de futebol e do treinador esses “jovens” não são capazes de garantir o resultado ali na frente?

Eu fiquei com essa pulga e resolvi fazer uma pesquisa rápida com relação a quantidade de jogadores da base que vem sendo aproveitados no time principal e não foi surpresa que isso foi diminuindo ao longo dos últimos anos. Como base, tomei informações do site do Grêmio (que nem sempre está completo) e de alguns portais quando do início da temporada de cada ano, desde 2016, podendo haver um erro com marge de 2 pontos pra cima ou pra baixo. Neste ano de 2016, foram 18 atletas da base iniciando a temporada (levei em conta o Ramiro, que é gremistão) e ao final da mesma, na grande decisão da Copa do Brasil contra o Atlético MG, tivemos nada menos que 13 jogadores relacionados para a final, sendo 5 titulares (Grohe, Walace, Ramiro, Everton e Luan) e um reserva que entrou no jogo (Jaílson).

2017 iniciou-se com 19 atletas da base no elenco principal. Dessa vez estou levando em conta Ramiro e Bressan. Começar o ano com o título da Copa do Brasil tirou um peso do clube e a base pode ser mais utilizada com bons resultados. Na final da Libertadores, contra o Lanús, 6 jogadores titulares que estavam em campo eram da base tricolor (Marcelo, Bressan, Jailson, Arthur, Ramiro e Luan) e 1 ótimo jogador estava no banco: Everton. Thyerre, o 8º jogador da base relacionado ainda entrou no segundo tempo para segurarmos o tri da Libertadores.

Bom, aí veio 2018 e o título da Recopa logo no início. Mas será que o LEGADO da base acabou? Fomos atrás de alguns atletas mais “cascudos” e a base foi perdendo espaço. 11 atletas oriundos da base se apresentaram e na fatídica eliminação para o River Plate na semi-final da Libertadores em outubro daquele ano tínhamos apenas 2 jogadores da base em campo: Grohe e Ramiro. Everton e Bressan entraram no segundo tempo (nem gosto de lembrar) e Luan estava machucado. Mais nenhum atleta da base esteve relacionado nesse jogo.

O texto já está longo, mas longo não foi a lista de atletas da base em 2019. Apenas 9 atletas iniciaram no elenco principal e eu não podia de deixar o horrendo confronto contra o Flamengo fora da avaliação. No campo do Maracanã na nossa eliminação na Libertadores foram apenas 2 titulares da base em campo: Matheus Henrique e Everton. Pepê ainda entrou e Jã Pierre e Luan estava machucados. No banco, até tinhamos alguns atletas da base, mas foram preteridos. Rodrigues, Darlan e Patrick entre eles.

Chegamos em 2020 e a lista de atletas da base chegou a 12. Destes, Megiolaro, Matheus Henrique e Pepê estão servindo a seleção sub-23 e não vão jogar com o tricolor até início de Fevereiro. Considerando que o Grêmio contratou um goleiro de 35 anos e manteve Paulo Victor e Julio Cesar, Megiolaro não verá a cor do barbante titular tão cedo.

No jogo do último final de semana, vitória de 1 a 0 sobre o Brasil de Pelotas com apenas 2 titulares oriundos da base: Everton e Patrick. Podemos considerar que Matheus Henrique seria titular, que o Pepê provavelmente seria uma opção no banco e ainda tínhamos Darlan, Isaque e Ferreirinha que entraram no decorrer da partida.

Não dá pra ser conclusivo com esta análise, mas eu consigo ver uma tendência em dois sentidos: 1. Ou a base tricolor perdeu em qualidade ou não tem sido aproveitada o suficiente. Se quando tínhamos mais jogadores “jovens” em campo conquistamos Copa do Brasil e Libertadores, o que levou ao comando técnico optar por jogadores mais “cascudos” e “experientes”, quando isso não foi suficiente nas temporadas 18 e 19?

Wanderlei, 35 anos. Victor Ferraz, 32 anos. Thiago Neves e Diego Souza, 34 anos. Será que nenhum jogador da base seria capaz de fazer o que esses veteranos fazem? Não me parece a escolha ideal apostar tão alto mas só saberemos ao final da temporada.

Até lá, torceremos.


Gabriel Pinto

Participe da discussão

1 comentário

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.